Depois de muitos meses mergulhada nas obras de Isaac Asimov, criei para mim alguns desafios de leitura. Vieram a lista de Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Isaac Asimov, Duna e tantos outros autores que sempre fizeram parte da minha biblioteca. Quando terminei a série dos Robôs e me preparava para iniciar a saga Fundação, motivada também pela adaptação da Apple TV+, percebi que precisava fazer uma pausa.

Curiosamente, minha pausa dentro da ficção científica foi… outra ficção científica.

Mas uma diferente.

Procurando novos autores na Amazon, encontrei Brandon Q. Morris. Descobri que, além de escritor, ele é astrofísico. Isso imediatamente despertou minha curiosidade. Pensei: se alguém dedica a vida à ciência e também escreve romances, talvez encontre aqui uma ficção científica ainda mais próxima das possibilidades reais.

Escolhi Silent Sun sem conhecer muito sobre a história. O título chamou minha atenção e resolvi embarcar nessa leitura.

Silent Sun

A primeira impressão foi exatamente a que eu esperava: esta é uma obra de ficção científica hard. Brandon Q. Morris dedica bastante espaço para explicar conceitos científicos e tecnológicos, mas faz isso de forma acessível. Em nenhum momento tive a sensação de estar lendo um tratado de física; pelo contrário, a narrativa permanece fluida e faz com que essas explicações se integrem naturalmente à história.

O que mais me agradou foi perceber que toda a evolução tecnológica apresentada parece plausível dentro das regras estabelecidas pelo próprio universo do livro. Como leitora de ficção científica, gosto quando a tecnologia não serve apenas como cenário, mas influencia diretamente as decisões dos personagens e os desafios enfrentados ao longo da trama.

Também me surpreendi com alguns elementos que fogem do esperado. Sem revelar detalhes importantes da história, encontrei uma abordagem que vai além da tecnologia e abre espaço para reflexões que eu não imaginava encontrar quando comecei a leitura.

Ao terminar o livro, fiquei pensando em como a ficção científica continua evoluindo. Isaac Asimov lançou muitas das ideias que moldaram o gênero moderno, principalmente ao discutir robôs, inteligência artificial e a relação entre humanos e máquinas. Décadas depois, autores como Brandon Q. Morris mostram que essas perguntas continuam atuais, mas agora são respondidas à luz dos avanços científicos e tecnológicos do século XXI.

Talvez essa tenha sido a maior descoberta dessa leitura. Eu procurava apenas uma pausa entre um livro de Asimov e outro, mas acabei encontrando um autor que conseguiu renovar meu entusiasmo pela ficção científica hard.

Vale a pena ler?

Recomendo Silent Sun para leitores que gostam de ficção científica baseada em ciência, mas que não abre mão de uma boa narrativa. Se você aprecia autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke ou Liu Cixin, Brandon Q. Morris merece entrar na sua lista de leituras.

“Viu o que você fez, Asimov?”

Você abriu a imaginação de gerações de leitores e escritores. Nem tudo o que imaginou se concretizou, mas talvez essa nunca tenha sido sua verdadeira intenção. Suas histórias nunca falaram apenas sobre robôs, inteligência artificial ou viagens espaciais. Elas sempre perguntaram como nós, seres humanos, reagiríamos diante dessas mudanças.

Décadas depois, autores como Brandon Q. Morris continuam fazendo essa mesma pergunta. A tecnologia evoluiu, a ciência avançou e novos desafios surgiram, mas a questão permanece atual: estamos preparados para conviver com tudo aquilo que somos capazes de criar?

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