Depois de ler Silent Sun, percebi que Brandon Q. Morris fazia algo diferente do que eu imaginava. As referências a outros acontecimentos despertaram minha curiosidade e descobri que suas séries não eram completamente independentes. Embora cada uma tenha sua própria história, elas compartilham o mesmo universo e, em diversos momentos, personagens, eventos e consequências se cruzam.
Foi justamente isso que me levou a The Hole.
Ao pesquisar um pouco mais, descobri que Brandon Q. Morris escreveu várias séries praticamente ao mesmo tempo. Algumas foram concluídas em anos diferentes, mas os acontecimentos dialogam entre si. Em vez de seguir uma única ordem de publicação, acabei montando meu próprio percurso de leitura. Li The Rift, avancei para Ice Moon, conheci outras histórias e, depois, retornei à série Solar System até acompanhar sua conclusão.
Esse jeito de construir um universo compartilhado me lembrou mais uma grande saga de ficção científica do que séries completamente isoladas.
The Hole também me surpreendeu pela estrutura narrativa.
Diferente de Silent Sun, que acompanha uma linha de acontecimentos mais direta, aqui Brandon Q. Morris alterna duas histórias que acontecem ao mesmo tempo. Inicialmente essa escolha causa um certo estranhamento. A impressão é que estamos interrompendo uma narrativa para acompanhar outra completamente diferente.

Com o passar das páginas, porém, tudo começa a fazer sentido.
Os mesmos lugares reaparecem sob perspectivas diferentes. Personagens, acontecimentos e até alguns elementos misteriosos passam a ser vistos por outros ângulos. É uma construção que lembra bastante a linguagem do cinema, quando diferentes núcleos narrativos caminham paralelamente até que suas histórias se encontrem.
Gostei dessa escolha porque ela exige um pouco mais de atenção do leitor, mas também torna a descoberta muito mais interessante. Aos poucos deixamos de enxergar duas histórias separadas e percebemos que estamos observando diferentes peças do mesmo quebra-cabeça.
Mais uma vez, Brandon Q. Morris conseguiu mostrar que sua ficção científica vai além da tecnologia e das explicações científicas. O universo criado pelo autor cresce livro após livro, recompensando quem gosta de conectar detalhes e compreender como cada história contribui para um cenário maior.
Ao terminar a leitura, percebi que Brandon Q. Morris constrói sua ficção científica de maneira muito semelhante ao próprio universo que criou: tudo parece separado no início, mas aos poucos as conexões aparecem e revelam um cenário muito maior do que imaginávamos. Talvez seja justamente essa sensação de descoberta contínua que tenha me feito seguir explorando suas outras séries.
Vale a pena ler?
Recomendo The Hole principalmente para leitores que já conheceram alguma obra de Brandon Q. Morris e desejam explorar melhor o universo compartilhado criado pelo autor. Embora funcione de forma independente, a experiência se torna ainda mais interessante quando percebemos como as diferentes séries conversam entre si.





