Sempre fui fascinada pela cultura japonesa, principalmente pelas histórias de terror. Filmes como Ju-On (呪怨) (O Grito), Ringu (リング) (O Chamado) e Ju-Rei: The Uncanny (呪霊), além de tantas outras produções do gênero, despertaram meu interesse por narrativas que exploram suspense, mistério e elementos da tradição japonesa. Naturalmente, essa curiosidade acabou me levando também à literatura.
Foi assim que conheci Seishi Yokomizo.
Confesso que comecei The Honjin Murders com uma expectativa moderada. Imaginei encontrar apenas mais um romance policial ambientado no Japão, talvez diferente pelo contexto cultural, mas seguindo uma estrutura semelhante à dos mistérios clássicos que já conhecia.
Felizmente, fui surpreendida.

Publicado originalmente em 1946, The Honjin Murders apresenta o detetive Kosuke Kindaichi em um mistério de quarto fechado que rapidamente se tornou um dos grandes clássicos da literatura policial japonesa. A influência dos romances de investigação ocidentais é evidente, mas Yokomizo constrói uma narrativa profundamente marcada pelos costumes, tradições e ambiente rural do Japão do pós-guerra.
O que mais me agradou foi a forma como a história é contada. A narrativa é tranquila, sem pressa, permitindo que o leitor observe cuidadosamente cada detalhe da investigação. Em vários momentos tive a sensação de deixar de ser apenas uma leitora para me tornar uma testemunha dos acontecimentos, como se acompanhasse os fatos ao lado do narrador e dos investigadores.
A narrativa é tranquila e conduz a investigação sem pressa. Em vez de apostar apenas em reviravoltas, Seishi Yokomizo permite que o leitor observe cuidadosamente cada detalhe, criando a sensação de participar da investigação ao lado dos personagens.
Outro aspecto que gostei foi perceber como o romance preserva a identidade da literatura policial japonesa. Embora seja impossível não lembrar de autores como Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, Seishi Yokomizo cria uma atmosfera própria, em que a cultura, as tradições familiares e os costumes japoneses são tão importantes quanto o próprio crime.
Ao terminar a leitura, percebi que minha curiosidade pela cultura japonesa havia encontrado um novo caminho. Antes ela vinha principalmente do cinema de terror; agora passou também pela literatura policial. The Honjin Murders não apenas correspondeu às minhas expectativas, como despertou minha vontade de conhecer outros autores japoneses do gênero.
Vale a pena ler?
Recomendo The Honjin Murders para leitores que gostam de romances policiais clássicos e desejam conhecer uma perspectiva diferente da tradição europeia. Mais do que apresentar um excelente mistério, Seishi Yokomizo oferece uma porta de entrada para um estilo de investigação que combina lógica, atmosfera e elementos culturais de maneira muito envolvente.
Sobre o autor
Seishi Yokomizo (1902–1981) é considerado um dos maiores nomes da literatura policial japonesa. Criador do detetive Kosuke Kindaichi, ajudou a consolidar o gênero no Japão e influenciou diversas gerações de escritores de mistério.





