Zíbia Gasparetto, nascida Zíbia Milani Gasparetto em 29 de julho de 1926, foi uma escritora espiritualista brasileira e médium. Mãe do apresentador, escritor e psicólogo Luiz Antonio Gasparetto, destacou-se pela psicografia e por sua contribuição à literatura espiritualista brasileira. Desde a infância demonstrava interesse pela escrita, criando contos policiais e revelando uma forte vocação para contar histórias.
Em 1950, Zíbia relatou uma experiência que marcou o início de sua mediunidade. Segundo seu relato, acordou durante a noite sentindo um formigamento pelo corpo e passou a caminhar pela casa falando em alemão, idioma que não conhecia. Esse episódio deu início ao trabalho mediúnico que desenvolveria ao longo da vida.
Seu primeiro romance psicografado foi O Amor Venceu, atribuído ao espírito Lucius. A partir daí publicou diversas obras, entre elas:
- O Amor Venceu
- O Morro das Ilusões
- Entre o Amor e a Guerra
- Laços Eternos
Entre os ensinamentos atribuídos a Lucius, destacam-se:
Lei de Causa e Efeito
Toda ação gera uma consequência. Somos responsáveis pelos resultados de nossas escolhas e atitudes.
Reencarnação
A reencarnação é apresentada como uma oportunidade de aprendizado e evolução espiritual, permitindo que a alma continue seu desenvolvimento ao longo de diferentes existências.
Amor e Caridade
O amor ao próximo, o perdão e a prática da caridade são apresentados como pilares fundamentais para uma vida mais equilibrada e fraterna.
Superação
As dificuldades da vida são vistas como oportunidades de crescimento. A fé, a perseverança e a confiança em si mesmo ajudam a enfrentar os desafios.
Zíbia Gasparetto faleceu em 10 de outubro de 2018, aos 92 anos, após uma longa batalha contra um câncer de pâncreas. Sua obra permanece influente entre leitores que buscam reflexões sobre espiritualidade, autoconhecimento e relações humanas.
Além dos livros citados, publicou dezenas de romances espiritualistas que continuam sendo lidos por diferentes gerações. Seu legado permanece vivo por meio de suas histórias e das reflexões que elas despertam sobre escolhas, responsabilidade e crescimento pessoal.
Minha experiência com as obras de Zíbia Gasparetto
Não me lembro de ter parado de ler desde que conheci meu primeiro livro, Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Ainda criança, queria absorver tudo o que aquelas páginas podiam oferecer. As histórias retratavam uma época que não era a minha, mas despertavam minha imaginação e me permitiam viajar para lugares que só existiam na literatura.
Anos depois, concluí o ensino técnico em Eletrônica. Entre apostilas, manuais e livros técnicos, também havia lido boa parte dos grandes autores brasileiros do século XIX. Apesar de admirar essas obras, comecei a sentir necessidade de encontrar leituras mais leves, que me proporcionassem outro tipo de experiência. Naquele momento, curiosamente, eu não queria mais ficção científica.
Foi durante meu estágio, aos dezoito anos, que uma colega de trabalho me emprestou O Amor Venceu, de Zíbia Gasparetto.

A história se passava no Egito Antigo, um cenário que já despertava meu interesse graças às leituras de Agatha Christie, especialmente Morte na Mesopotâmia. Mas o romance de Zíbia seguia um caminho completamente diferente. Em vez de uma investigação policial, encontrei uma narrativa sobre reencontros, reencarnação e a oportunidade de corrigir erros do passado. Personagens que viveram na época dos faraós voltavam em outras existências para enfrentar novos desafios, superar antigas falhas e, finalmente, encontrar a paz e o amor que haviam perdido.
Foi uma leitura que me marcou profundamente.
Depois desse primeiro contato, praticamente não parei mais de ler Zíbia Gasparetto. Cada novo lançamento era aguardado com entusiasmo. Embora seu público fosse muito mais específico do que o dos grandes best-sellers internacionais, seus romances encontravam leitores justamente por oferecerem histórias envolventes, personagens humanos e reflexões que permaneciam conosco muito depois da última página.
Mais do que apresentar conceitos da espiritualidade, Zíbia escrevia romances capazes de prender a atenção do leitor. Talvez por isso suas obras tenham alcançado tantas pessoas: a reflexão vinha naturalmente, acompanhando uma boa história.
Zíbia Gasparetto: a autoajuda em forma de romance

Uma das razões pelas quais os livros de Zíbia Gasparetto sempre me marcaram é que eles utilizam um recurso muito parecido com o encontrado em grupos terapêuticos e programas de apoio. Nessas situações, pessoas compartilham suas próprias experiências, erros e aprendizados para despertar a consciência de quem está enfrentando dificuldades semelhantes.
Os romances de Zíbia fazem algo parecido, mas através da ficção.
Seus personagens não são perfeitos. Eles erram, magoam outras pessoas, sofrem as consequências de suas escolhas, enfrentam desafios e, aos poucos, aprendem a viver de maneira diferente. O leitor acompanha essa transformação e, muitas vezes, acaba refletindo sobre a própria vida sem perceber.
Talvez seja justamente esse o motivo de suas histórias terem alcançado tantos leitores. Mais do que apresentar conceitos da Doutrina Espírita, Zíbia construía romances em que a espiritualidade fazia parte da jornada dos personagens, e não apenas do discurso. As lições surgiam naturalmente, acompanhando os conflitos, as perdas, os reencontros e as oportunidades de recomeçar.
Foi essa forma de contar histórias que me conquistou. Antes de conhecer Chico Xavier e outros autores espíritas, foi Zíbia Gasparetto quem me mostrou que a literatura também podia ser um espaço de reflexão, crescimento pessoal e esperança.
O legado de Zíbia Gasparetto

Em 10 de outubro de 2018, Zíbia Gasparetto faleceu aos 92 anos, em São Paulo, após uma longa batalha contra um câncer no pâncreas. Sua partida marcou o fim de uma trajetória de décadas dedicada à literatura espiritualista, mas suas obras continuam conquistando novos leitores e permanecem entre as mais conhecidas do gênero no Brasil.
Mais do que psicografar romances, Zíbia transformou temas como reencarnação, perdão, livre-arbítrio e responsabilidade em histórias acessíveis, aproximando milhares de pessoas da espiritualidade por meio da literatura. Seu legado permanece vivo não apenas nos livros que escreveu, mas também nas reflexões que suas histórias continuam despertando em diferentes gerações de leitores.





