Joaquim Maria Machado de Assis (1839–1908) é amplamente reconhecido como o maior nome da literatura brasileira. Nascido no Rio de Janeiro em uma família humilde, construiu sua formação de maneira praticamente autodidata e tornou-se um dos escritores mais influentes da língua portuguesa.
Desde muito jovem demonstrou talento para as letras. Publicou seu primeiro soneto aos 15 anos e trabalhou como tipógrafo, revisor e jornalista, atividades que contribuíram para sua formação intelectual e literária.
“O primeiro livro que li de Machado de Assis foi Dom Casmurro. Confesso que fiquei com algumas dúvidas sobre a personagem Capitu e, por isso, acabei relendo a obra. Hoje, entendo que essas dúvidas fazem parte do objetivo do autor.”

Um escritor à frente de seu tempo
Machado de Assis escreveu romances, contos, crônicas, poemas, peças teatrais, críticas literárias e textos jornalísticos. Sua produção é uma das mais completas da literatura brasileira.
Entre suas obras mais conhecidas estão:
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Quincas Borba
- Dom Casmurro
- Helena
- Memorial de Aires
Sua escrita é marcada pela ironia, pela análise psicológica dos personagens e por uma crítica refinada à sociedade brasileira do século XIX.
O Realismo brasileiro
A publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881, marcou o início do Realismo na literatura brasileira.
Machado rompeu com muitos elementos do Romantismo e passou a explorar personagens mais complexos, narradores pouco confiáveis e conflitos humanos que permanecem atuais até hoje.
“Cada livro de Machado de Assis oferece uma experiência única para quem o lê pela primeira vez e desperta boas lembranças dos personagens para quem decide revisitá-los.”
Muito além dos romances
Além de escritor, Machado de Assis foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, instituição criada em 1897 e que continua sendo uma das principais referências da literatura nacional.
Durante sua vida, testemunhou acontecimentos decisivos da história do Brasil, como a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. Esses acontecimentos aparecem, direta ou indiretamente, em muitas de suas obras.
“Ler Machado de Assis é como acompanhar uma aula de história em que os personagens testemunham as mudanças da sociedade brasileira e da modernização dos costumes de sua época.”
Uma porta para outros clássicos
Foi através de Machado de Assis que despertei o interesse por outros escritores brasileiros do século XIX.
Depois vieram obras como:
- A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo;
- Iracema, de José de Alencar;
- A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães;
- Inocência, do Visconde de Taunay.
“Sinto-me grata por ter conhecido essas obras ainda na adolescência. Cada uma delas ampliou minha visão sobre a literatura brasileira e despertou o interesse por diferentes estilos e períodos da nossa história.”
Um legado que atravessa gerações
Mais de um século após sua morte, Machado de Assis continua sendo uma leitura indispensável. Sua capacidade de compreender a natureza humana, construir personagens inesquecíveis e retratar a sociedade com inteligência faz de sua obra um patrimônio da literatura mundial.
Ler Machado de Assis é descobrir que grandes clássicos não permanecem vivos apenas por sua importância histórica, mas porque continuam dialogando com leitores de diferentes gerações.


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