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Meus primeiros livros tinham muitas imagens, histórias fascinantes e inúmeras palavras que eu ainda não entendia. Aprender a ler foi uma das minhas primeiras grandes conquistas.
Quando aquelas palavras começaram a fazer sentido, os livros deixaram de ser apenas objetos cheios de imagens. Tornaram-se caminhos para histórias, personagens, épocas e lugares que eu ainda não conhecia.
Com o tempo, compreendi que ler significava muito mais do que decifrar palavras. A leitura também passou a me ensinar a interpretar, imaginar, estabelecer relações e olhar para experiências diferentes das minhas.

Na infância, alguns dos meus grandes companheiros foram os livros de Monteiro Lobato. Durante os anos de escola, tive a oportunidade de ler toda a coleção do Sítio do Picapau Amarelo, que ampliou ainda mais minha curiosidade pela literatura.
Com o tempo vieram obras mais longas e desafiadoras. Foi assim que conheci clássicos de Machado de Assis, como Dom Casmurro, Helena e Memórias Póstumas de Brás Cubas, além das aventuras inesquecíveis de Júlio Verne, em livros como A Volta ao Mundo em 80 Dias, Cinco Semanas em um Balão e Viagem ao Centro da Terra.
Muito além de decodificar palavras
Não existe um único ritmo adequado para todas as leituras. Alguns textos precisam ser atravessados lentamente; outros permitem uma leitura mais rápida.
O importante é compreender o que lemos e reconhecer o propósito de cada experiência. A prática frequente da leitura pode ampliar o vocabulário, apoiar o desenvolvimento da escrita e favorecer habilidades de compreensão, reflexão e análise crítica.
A biblioteca e o prazer de descobrir histórias
Além dos livros que minha mãe comprava, havia um lugar que marcou minha infância: a biblioteca pública.

Eu podia levar dois livros emprestados por quinze dias e costumava ler um por semana. Meu objetivo nunca foi terminar rapidamente. O verdadeiro prazer estava em acompanhar cada história e guardar alguma coisa dela.
Foi ali que aprendi que ler não era uma corrida. Cada livro deixava marcas, despertava perguntas e alimentava minha imaginação de uma forma diferente.
A leitura também muda de forma
Ao longo da vida, minha maneira de ler também mudou. Os livros físicos continuaram presentes, mas passaram a dividir espaço com e-books e audiolivros. Cada formato oferece uma experiência diferente e também permite que a leitura continue acompanhando momentos e necessidades que não permanecem sempre iguais.
Ler na tela, ouvir uma obra ou abrir um livro impresso não são formas concorrentes de viver a literatura. São caminhos diferentes para encontrar uma história. O formato pode mudar, mas permanecem a curiosidade, a atenção e aquilo que levamos conosco depois da leitura.
Uma vida acompanhada por livros
A leitura nos acompanha de maneiras diferentes ao longo da vida. Em alguns momentos, buscamos conhecimento; em outros, reflexão, companhia ou simplesmente o prazer de entrar em uma boa história.
Talvez seja justamente essa a magia dos livros: as palavras permanecem nas páginas, mas cada leitura pode deixar algo novo em quem as encontra.
Fontes consultadas:
- OCDE — Reading literacy — compreensão, avaliação, reflexão e construção do conhecimento por meio da leitura.
- UNESCO — What you need to know about literacy — alfabetização e letramento como processos contínuos de aprendizagem.
- Instituto Pró-Livro — Retratos da Leitura no Brasil, 6ª edição — hábitos, motivações, formatos de leitura e papel das famílias e bibliotecas na formação de leitores brasileiros.
- Presidência da República — Política Nacional de Leitura e Escrita — reconhecimento do acesso ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas como um direito.

